terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Benjamin: dupla violência à dignidade combatente

Como não comentar o tão comentado artigo de César Benjamim à Folha na semana passada? O asco que causa a toda pessoa séria que luta pela democracia e liberdade de expressão nos deixa até sem vontade de opinar frente a um ‘depoimento’ tão vil.

No entanto algumas considerações ainda merecem ser feitas. As acusações das suposições das vagueações de Benjamin são uma dupla violência à dignidade dos presos políticos no Dops à época.

Violenta primeiramente por atacar a pessoa do presidente da República (às vésperas das eleições de 2010) sem nenhuma prova, quando que diariamente a população brasileira o vê sendo desmentido na imprensa.

Duplamente violenta pois, além de fazer esse ataque supostamente sem intenções, fere a história de todos os que combatiam contra o regime militar, também se colocando na contra-mão do processo atual de reconhecimento histórico que essas personalidades têm na formação do Brasil e na construção da sua democracia.

A Folha de São Paulo, que deveria ser grata à esses, pela conquista da liberdade de expressão, utiliza-se dessa histórica luta para fazer jornalismo barato, denuncista e ainda ataca de isenta de opinião ao afirmar que só publicou o artigo por acreditar que seria de interesse nacional. Que papelão!

Quanto mais se aproxima a disputa eleitoral de 2010, mais percebemos o desespero da direita brasileira, que, não podendo se sustentar em nenhuma crítica consistente ao atual governo (pois não há como ir contra à política educacional, habitacional e econômica de Lula sem ganhar o imenso repúdio da sociedade brasileira) se vale de argumentos infundados em ataque ao caráter da personalidade Lula.

O que não é compreendido ainda é que a figura de ‘filho do Brasil’ já se consolidou como a expressão das milhares de histórias do povo brasileiro, que se reconhece e compadece da figura do seu presidente. O filme em sua homenagem vem somente dar voz e imagens ao que a população já sente e acolhe como um dos seus.

Nenhuma manchete de jornal conseguirá mudar, principalmente da noite pro dia, o que já está subjetivado no inconsciente da brasilidade. Muito menos os jornais que tentam se vender como imparciais para distorcer a nossa história de lutas.

Marina Cruz

Diretora da UEE-SP

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